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José Macário Correia assume presidência da Aqua SA e define prioridades para a água

Homem com tablet numa plantação observando irrigação, enquanto três trabalhadores analisam dados ao fundo.

“Temos de conseguir fazer mais agricultura com menos água”, resume José Macário Correia, escolhido esta quinta-feira pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, para liderar a Aqua SA.

A designação do antigo secretário de Estado do Ambiente no tempo de Cavaco Silva (1987-1991) e ex-presidente de câmara em Tavira (12 anos) e em Faro (4 anos) foi tornada pública em Beja, no final da reunião do Conselho de Ministros ali realizada, marcada por medidas orientadas para o sector agroalimentar.

A Aqua SA será a nova estrutura a atuar no universo da Águas de Portugal, com a missão de gerir, nos próximos anos, a execução dos investimentos públicos na área da água. No âmbito da estratégia ‘Agua que Une’ - apresentada há pouco mais de um ano - encontram-se já em execução cerca de 1500 milhões de euros.

Macário Correia diz que “não podia recusar” “é demasiado importante”

Em declarações ao Expresso, Macário Correia afirma sentir-se “honrado” com o convite feito pelo primeiro-ministro para presidir à Aqua SA e sublinha que “não podia recusar. É um serviço público demasiado importante”.

O responsável explica que ainda não tomou posse - o que deverá acontecer nos próximos dias -, mas refere que a equipa já está montada, ainda que, para já, não avance mais detalhes.

“Vou libertar-me de alguns compromissos que tinha até agora para ficar totalmente disponível para este novo desafio, até porque se trata de algo estruturante para o país e não podemos perder esta oportunidade”, destaca o antigo autarca e ex-governante.

Combate ao desperdício no topo das prioridades

Sobre as prioridades, Macário Correia aponta, independentemente da dimensão do investimento, três linhas centrais: combater o desperdício de água, melhorar a eficiência de utilização e reforçar a reutilização.

Segundo explica, parte relevante do desperdício resulta do envelhecimento e da falta de manutenção de muitas infraestruturas de transporte, o que se traduz em perdas na ordem dos 30%. “Não se tem investido na remodelação das redes de transporte de água há décadas e isso tem de ser revertido, temos de renovar essas infraestruturas, sobretudo tubagens”, afirma.

Acrescenta ainda que “temos de ter sistemas mais eficientes tanto na agricultura como na rega dos campos de golfe. É, claramente, possível fazer mais com menos”.

“Organismos públicos têm de estar disponíveis para cooperarem”

Além da condução dos projetos, Macário Correia indica que a sua atuação enquanto presidente da Aqua SA passará também por articular procedimentos entre organismos públicos ligados ao ambiente e ao ordenamento do território, com o objetivo de reduzir de forma significativa a burocracia. E insiste que “alguns organismos públicos têm mesmo de estar disponíveis para cooperarem uns com os outros em nome do bem comum, em vez de serem entraves aos processos como muitas vezes tem acontecido”.

Embora diga não apreciar o termo ‘transvases’, por ser sensível para quem acompanha mais de perto as questões ambientais, antecipa que serão avançadas várias ‘interligações’ entre bacias hidrográficas, de norte a sul, para encaminhar água de zonas onde existe em maior quantidade para territórios onde é mais escassa - e também muito necessária.

“As interligações vão ser acionadas e postas em prática pela simples razão de que são necessárias”, sublinha o presidente da Aqua SA. E conclui dizendo que “o meu papel é, também, o de construir pontes nomeadamente entre o Ambiente e a Agricultura”.

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