Da tradição à tecnologia na agricultura em Portugal
Durante muitos séculos, falar de agricultura em Portugal era falar de tradição e de conhecimento transmitido de pais para filhos. Hoje, porém, o setor agroalimentar funciona com um vocabulário diferente: satélites, sensores, inteligência artificial e biotecnologia. Em paralelo, enfrenta desafios cada vez mais exigentes, do uso do solo às alterações climáticas, passando pela falta de água e, mais recentemente, pela subida dos custos da energia e dos fertilizantes, impulsionada pela escalada de conflitos geopolíticos.
O impacto no bolso e a força das exportações do setor agroalimentar
Estas transformações já se sentem de forma clara no orçamento das famílias. Basta conferir o talão do supermercado: o que acontece nos campos chega depressa à mesa dos portugueses. Ainda assim, o setor revela dinamismo. Os produtos agroalimentares representam já mais de 12% das exportações nacionais e, em 2025, cresceram perto de 8%. Para uma atividade que alguns continuam a etiquetar como "tradicional", não é um resultado pequeno.
Ciência e inovação (AgriTech): condição para água e clima
Apesar deste desempenho, Portugal mantém-se a importar quase o dobro do que consegue vender no exterior, com um défice superior a sete mil milhões de euros. É neste ponto que ciência e inovação deixam de ser uma escolha e passam a ser um requisito de sobrevivência. Sem investimento consistente em investigação, agricultura de precisão, gestão hídrica inteligente e novas soluções biotecnológicas, não existe resposta eficaz para a escassez de água nem para as alterações climáticas que já estão a prejudicar as nossas colheitas. O mercado AgriTech nacional, atualmente avaliado em 68 milhões de euros, poderá triplicar até 2030 - mas apenas se houver uma aposta séria no conhecimento.
O risco de uma agricultura a duas velocidades
O perigo de uma agricultura a duas velocidades é concreto. Sem renovação geracional, sem formação e sem modelos cooperativos - como os promovidos pelos Laboratórios Colaborativos -, a tecnologia de ponta arrisca-se a coexistir com o abandono rural.
Produzir mais com menos, valorizar o que é nosso
O caminho passa por produzir mais com menos, valorizar o que é nosso e exportar conhecimento, e não apenas matérias-primas. O campo já não é o que era. E ainda bem. Falta assegurar que esta nova agricultura seja também mais justa e sustentável - para quem produz e para quem, todos os dias, enche o cesto das compras.
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